Técnico do Cruzeiro Feminino, Jonas Urias fez críticas ao calendário do Futebol Feminino brasileiro, que prevê mais jogos em 2026, em relação ao ano passado. Segundo o treinador, apesar do objetivo nobre de se tentar desenvolver cada vez mais a modalidade, o excesso de partidas pode atrapalhar o desempenho das atletas.
“Eu sempre falo isso. O Futebol Feminino está em desenvolvimento. Em uma temporada recheada de jogos, como a do masculino, os atletas estão sendo submetidos a essa rotina, essa dinâmica pesada, há muitos anos. No Futebol Feminino é diferente. Tudo é uma novidade. O aumento de jogos é uma novidade. E por mais que todo mundo queira, não significa que a gente está preparado. Nem psicológico, nem fisicamente. A mesma atleta que gostaria de ter mais jogos, pode ter certeza que quando chega em maio para junho, ela está moída. Quer descanso“, disse o comandante das Cabulosas em entrevista coletiva.
Férias merecidas
Assim, ele comemorou a pausa da temporada. O time mineiro volta a jogar apenas no dia 24 de julho, contra o São Paulo, pela décima terceira rodada do Campeonato Brasileiro Feminino.

“Chegamos nesse momento da temporada com a equipe inteira precisando de descanso. De mente e corpo. A gente vê com bons olhos o ‘timing’ para esse descanso acontecer, é a primeira prioridade. E todo o planejamento para retomar a condição física e reestrear na temporada já está feito, de forma detalhada. A gente tem tempo de sobra para colocar em excelente forma, descansadas e fisicamente preparadas”, declarou Jonas Urias.
A maioria das atletas das Cabulosas entraram de férias em 29 de maio, um dia depois de golearem o Doce Mel-BA e se classificarem para a próxima fase da Copa do Brasil Feminina. A reapresentação na Toca da Raposa 1 está marcada para 15 de junho.
CBF aumentou o número de jogos

Em novembro do ano passado, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou o calendário do Futebol Feminino, da temporada de 2026. Presidente da entidade, Samir Xaud afirmou, na época, que o objetivo era fomentar a modalidade.
“Assim como fizemos no futebol masculino, passamos os últimos meses analisando e estudando oportunidades de melhorar o calendário e o fomento do Futebol Feminino. Ouvimos especialistas, federações, clubes e jogadoras. E chegamos a um modelo que atende a demandas importantes, colocando o Futebol Feminino brasileiro onde merece estar. Vamos mexer em toda a estrutura das nossas competições, aumentando o número de clubes e de jogos nas séries A1, A2, A3 e na Copa do Brasil, competição que estava abandonada”.
Ou seja, a Série A 1 do Campeonato Brasileiro desta temporada, por exemplo, passou a ter 18 clubes (dois a mais do que na temporada anterior). Agora serão 23 datas, duas a mais do que teve em 2025, o que representa um aumento de 134 para 167 jogos.
Já a Série A 2 aumentou de 13 para 21 datas (o que representa aumento de 70 para 134 jogos). Por fim, a Copa do Brasil Feminina passou de 65 para 66 participantes, reunindo os clubes das três divisões nacionais.
Cruzeiro terá Libertadores e Mineiro

No caso específico do Cruzeiro, no segundo semestre, há outras duas competições, além do Brasileirão e da Copa do Brasil. O Campeonato Mineiro, por exemplo, promete ser bem mais inchado do que o do ano passado.
Os clubes foram convocados para uma reunião do Conselho Técnico no próximo dia 10. Contudo, a ideia é começar o estadual em julho – dois meses antes do usual – e terminá-lo só em novembro.
Por fim, no mês de outubro as Cabulosas vão disputar, pela primeira vez na história, uma edição da Copa Libertadores. O torneio continental está previsto para acontecer entre os dias 15 e 31, no Equador. Além do Cruzeiro, Corinthians e Palmeiras representam o futebol brasileiro.

