Calendários disputados, goleiras espalhadas por ligas ao redor do mundo e pouco tempo de preparação, esses são apenas alguns dos desafios enfrentados pela comissão técnica durante as Datas FIFA da Seleção Brasileira. O preparador de goleiras do Palmeiras, que também possui passagens pela equipe canarinha Sub-20 e principal, Michel Recarti, conversou sobre esse cenário e o papel da comissão na rotina da equipe.
Categorias de base
O primeiro desafio começa ainda nas categorias de base, durante a formação das atletas. Atualmente, a Seleção Brasileira possui três equipes ativas, os elencos Sub-20, Sub-17 e Sub-15. No entanto, durante esse processo de construção de identidade e habilidades, a maior parte acontece dentro dos clubes.
“Esse é um desafio muito grande, porque a gente sabe, como a gente está falando em futebol feminino já é um desafio muito grande […] Então quando a gente vai para as categorias de base, o cenário é um pouquinho mais complicado. Não são todos os clubes que conseguem ainda dar uma boa estrutura, oferecer um bom local de trabalho, alimentação. Enfim, então é um desafio muito grande, mas a gente acaba sendo bastante dependente dos clubes, porque é dentro dos clubes que elas vão ser desenvolvidas”, comentou Michel.

_Leo Piva
Porém, os períodos com a Seleção Brasileira, na maioria das vezes, são curtos, o que exige da comissão técnica uma organização específica da rotina de treinos das atletas.
“A gente precisa estar muito bem conectado com o treinador de goleiras dessas atletas que estão ali. Entendendo como que é a rotina delas, quais são as necessidades, quais são os pontos a serem desenvolvidos ali. Porque quando a gente fala de Seleção Brasileira, a gente está falando de pouquíssimo tempo. Então lá não é a quantidade, o quanto que a gente deve treinar. É o que treinar, e a gente precisa ser muito preciso e muito pontual, para a gente conseguir otimizar esse tempo”.

Foto: Luciana Vermell/CBF
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Tempo e preparação
O curto espaço de tempo para a preparação não é exclusividade das categorias de base, a equipe principal também enfrenta esses obstáculos. Durante as Datas FIFA, as seleções reúnem jogadoras que atuam em clubes de diferentes países e que vivem momentos distintos. Em campeonatos como o Sul-Americano ou a Copa América, Michel Recarti destaca o estudo das competições.
“Na seleção, a gente precisa entender o que a goleira já domina, o que precisa ser ajustado e qual é o contexto que a gente vai enfrentar. Então, por exemplo, falando num Sul-Americano, tem toda essa conexão com os treinadores de goleiras e mais a gente entender como que é o campeonato que a gente vai ter”.
Além disso, o preparador também comenta sobre a importância da comunicação entre a comissão técnica dentro e fora de campo.
“Então, é muito desafiador, é sempre um quebra-cabeça e ali é muito importante sempre. Principalmente nesse momento de competição e falando de maneira geral, não só de Seleção Brasileira, mas quando a gente fala de um calendário muito apertado, a comissão técnica está muito integrada. Tem uma comunicação muito boa, tem uma comunicação muito assertiva, sem ruído […] E estamos falando não só do controle físico, estamos falando da parte mental, estamos falando de um campeonato com muita responsabilidade, estamos falando em defender a seleção brasileira”, completou o preparador.

