No Brasil, o futebol é tratado como patrimônio cultural. Entretanto, a história costuma negligenciar a participação das mulheres na construção desse legado. Para resgatar essas trajetórias, o Rolé Carioca, atividade cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro, dedica parte de sua próxima edição, em Bangu, à luta feminina por espaço nos gramados. O passeio gratuito, marcado para 28 de junho, revisita a história de atletas que enfrentaram inúmeras barreiras para jogar e ajudaram, portanto, a abrir caminho para as gerações seguintes.
Durante muito tempo, o país proibiu o Futebol Feminino. A medida impediu que mulheres praticassem oficialmente a modalidade e reforçou, assim, preconceitos que impactaram diretamente no esporte. A liberação oficial só ocorreu em 1983, encerrando mais de quatro décadas de proibição. A Secretaria Municipal de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro (SMEL) vem fomentando a modalidade na cidade, um dos exemplos é o projeto: “Rio: capital do Futebol Feminino”, que envolve milhares de alunas das Vilas Olímpicas do município.

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Legado e luta contra a proibição
O passeio cultural destaca as histórias de Rose e Elzinha, personagens marcantes de Bangu no início dos anos oitenta. Afinal, em uma época onde os campos eram ocupados majoritariamente por homens, elas desafiaram convenções sociais e conquistaram espaço no futebol. Assim, se tornaram símbolos de resistência e transformação.

Segundo Isabel Seixas, idealizadora do Rolé Carioca, recuperar essas memórias é também uma forma de reparar uma invisibilidade histórica:
Durante décadas, as mulheres foram impedidas de praticar futebol por preconceitos que limitaram não apenas suas oportunidades, mas também a construção da memória esportiva do país. Trazer essa história para o Rolé é uma forma de valorizar essas pioneiras e contribuir para uma reparação histórica necessária”, afirma Isabel.
As atletas Rose e Elzinha ficaram nacionalmente conhecidas durante um amistoso realizado no Maracanã, entre as equipes do Bangu e do Cruzeiro. Na ocasião, a partida aconteceu como preliminar do confronto entre Flamengo e Corinthians pelo Brasileirão masculino. Milhares de torcedores presentes assistiram, assim, à goleada do Bangu por 4 a 1, com direito a golaço de Rose. O jogo ocorreu apenas seis dias depois da regulamentação do Futebol Feminino no Brasil.

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Identidade e construção histórica
O roteiro mostra a relação entre Bangu e a formação do futebol brasileiro, para além das histórias tradicionalmente associadas aos grandes jogadores e clubes. Assim, ao percorrer espaços históricos do bairro, os participantes conhecerão como trabalhadores, moradores do subúrbio e mulheres tiveram papel fundamental na consolidação do futebol como elemento da identidade nacional.

O passeio, denominado “Futebol e Memória: Bangu”, também aborda a presença de atletas negros no Bangu Atlético Clube e a importância do bairro, portanto, na democratização do esporte. Afinal, em um período em que muitos clubes restringiam a participação de jogadores das camadas populares, o Bangu foi na contramão do preconceito.

Quem acompanhar o trajeto, conhecerá a história de Thomas Donohoe, operário escocês que chegou a Bangu em 1894 para trabalhar na Companhia Progresso Industrial do Brazil. Considerado por muitos historiadores como o responsável pelas primeiras partidas de futebol. O prédio em que a fábrica funcionou é hoje o Bangu Shopping.

Serviço
Rolé Carioca – Futebol e Memória: Bangu
📅 Data: 28 de junho
🕙 Horário: 10h
📍 Ponto de encontro: Bangu Shopping
🎟️ Evento gratuito
