Um dos ícones da história do Futebol Feminino, a ex-jogadora Formiga, celebrou a importância do atual momento da categoria em um evento sobre mulheres e profissões em São Paulo. Uma das palestrantes do painel sobre a Copa do Mundo 2027, a craque relembrou como era o cenário no início da carreira e defendeu que o legado deve ir além do campo.
Durante o evento Summit Mulheres nas Profissões, a craque pontuou que o maior legada do Copa do Mundo Feminina de 2027 pode deixar para o Brasil vai muito além do desenvolvimento técnico. Para ela, garantir que as próximas gerações de mulheres ocupem seus espaços de direito sem precisar pedir permissão.
“O que essas meninas de hoje precisam é de segurança. Segurança de que, em qualquer lugar que for jogar futebol, ela pode ir. Porque não precisa mais pedir licença para jogar ou estar em qualquer âmbito, muito pelo contrário”, enfatizou a ex-jogadora.
Atualmente Formiga é diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino, no Ministério do Esporte. A brasileira atua como embaixadora da FIFA, além de integrar o quadro de Lendas da instituição, participando de eventos e painéis globais para divulgar a categoria e em iniciativas como o combate ao racismo, por exemplo.
Com mediação de Anne Lottermann, o painel sobre a Copa do Mundo Feminina contou com a participação de Kin Saito, Cristiane Gambaré, Juliana Picoli Agatte e Gal Barradas. As profissionais são referêcias que vivem e constroem o futuro do esporte em diferentes frentes.
A pioneira da Seleção Feminina Brasileira, defendeu que o esporte precisa ser acessível e seguro e todas as esferas sociais.
“Ela precisa saber que em cada quadra, cada rua, em cada lugar, cada campo, é direito dela de pertencimento. Então, que seja dessa forma! Que nós, mulheres, possamos estar onde quisermos, com essa segurança, com essa certeza que essa Copa do Mundo sim vem para transformar”, completou.
Formiga é a única pessoa da história do esporte a disputar sete Copas do Mundo e sete Olimpíadas em edições consecutivas. A ex-volante conquistou duas medalhas de prata Olímpicas (2004 e 2008), e acumulou títulos continentais. Entre os clubes, jogou no Brasil pelo São Paulo, Santos e São José. No exterior, atuou em clubes na Suécia, Estados Unidos e França.
Formação integral de atletas e cidadãs
Formiga ressaltou que o investimento estrutural no Futebol Feminino deve visar a emancipação das mulheres. Para a atleta, elas devem estar preparadas tanto para as quatro linhas quanto para cargos de liderança e gestão no futuro.
“O que elas precisam realmente é dessa renovação e essa segurança de poder praticar futebol e entender que ela vai ter toda a estrutura. E não só para se transformar em uma atleta, mas também em ser uma grande mulher”, explicou.
A eterna camisa 8 reforçou o desejo que o esporte seja uma plataforma de desenvolvimento amplo.
“Que essas meninas tenham cada vez mais segurança para que elas possam desenvolver o talento, seja no futebol ou para se tornar uma grande mulher, estar na gestão, estar onde ela quiser. Mas que todas nós tenhamos segurança para o nosso desenvolvimento”, conclui.
Contraste com o passado
Além da alegria com as mudanças no Futebol Feminino, Formiga relembrou as barreiras que enfrentou no início da trajetória. O cenário de antigamente, marcado pela escassez de recursos e pelo preconceito, serve como alerta para as transformações que ainda são necessárias.
“No meu momento tinha incertezas. Não tinha uniforme, não tinha chuteira, eu não podia jogar com os meninos. Batia nas porta, nos portões para poder jogar em uma quadra de futsal nas escolas, mas me diziam. Diziam não até no primeiro clube que joguei, que ali não era lugar de mulheres e nem futebol era para mulheres”, recordou a ex-jogadora.
