O crescimento recente da seleção masculina da Noruega, liderada por nomes como Erling Haaland e Martin Ødegaard, não aconteceu por acaso. Por trás da evolução do futebol norueguês existe um projeto de longo prazo liderado por uma figura que ganhou espaço dentro e fora dos gramados: Lise Klaveness.
Primeira mulher a presidir a Federação Norueguesa de Futebol, Lise se tornou uma das dirigentes mais influentes da Europa nos últimos anos. Ex-jogadora da seleção, advogada e defensora de pautas sociais no esporte, ela passou a chamar atenção mundial após discursos públicos contra a FIFA e pela defesa de direitos humanos.
De jogadora da seleção à presidência da federação
Antes de assumir cargos de liderança, Lise Klaveness construiu carreira dentro de campo. Ela atuou pela seleção da Noruega e foi vice-campeã da Eurocopa Feminina em 2005. Paralelamente ao futebol, também estudou Direito e se formou advogada, trabalhando posteriormente como juíza.
Sua ligação com o esporte continuou após a aposentadoria. Em 2018, passou a atuar como diretora de futebol da Federação Norueguesa e ganhou protagonismo em projetos voltados ao desenvolvimento das categorias de base.
Quando assumiu a presidência da entidade, em 2022, encontrou uma geração promissora surgindo no país. Jovens como Haaland e Ødegaard começavam a ganhar espaço no futebol europeu, enquanto a Noruega buscava voltar ao cenário competitivo internacional.
A estratégia pela federação foi ampliar o acesso ao esporte. Entre eles estiveram investimentos em campos sintéticos, infraestrutura comunitária e programas de desenvolvimento para jovens atletas espalhados pelo país.
O objetivo era aumentar a participação da população no futebol desde cedo e facilitar o acesso de novos talentos aos clubes e às seleções de base.
Discurso contra a FIFA colocou Lise Klaveness em destaque
Apesar do trabalho esportivo, Lise Klaveness ganhou repercussão internacional principalmente por seus posicionamentos políticos no futebol.
Durante o Congresso da FIFA realizado no Catar, em 2022, a dirigente criticou publicamente as condições de trabalho enfrentadas por trabalhadores migrantes durante a preparação para a Copa do Mundo. Em seu discurso, também cobrou responsabilidade da entidade máxima de futebol sobre direitos humanos, trabalhadores migrantes e inclusão da comunidade LGBTQIA+.
A fala repercutiu globalmente e transformou Klaveness em uma das principais vozes políticas do futebol europeu.
Nos anos seguintes, a dirigente continuou defendendo debates sobre direitos humanos, igualdade no esporte e governança no futebol internacional. A Noruega passou a ser vista como uma das federações mais ativas em pautas políticas dentro do cenário esportivo.
Outro movimento importante liderado por ela aconteceu no Futebol Feminino. A atacante Ada Hegerberg, primeira vencedora da Bola de Ouro Feminina, havia deixado a seleção da Noruega em 2017 por discordar do tratamento dado a modalidade no país.
Com mudanças internas promovidas pela federação, Hegerberg retornou à seleção, fortalecendo novamente a equipe nacional.
Nome forte dentro da UEFA
O crescimento da influência de Lise Klaveness ultrapassou as fronteiras da Noruega. Em 2025, ela foi eleita para o Comitê Executivo da UEFA, principal órgão de decisões da entidade europeia.
O cargo aumentou ainda mais sua relevância política dentro do futebol internacional e reforçou sua imagem como uma dirigente disposta a questionar estruturas tradicionais do esporte.
Enquanto a Noruega tenta transformar sua geração talentosa em resultados dentro de campo, Lise segue sendo um dos nomes mais importantes da administração esportiva atual.
