A trajetória do São Paulo no Futebol Feminino é marcada por idas, vindas, reconstruções e, sobretudo, por uma consolidação recente que transformou o clube em uma das principais potências da modalidade no Brasil. O caminho até o protagonismo atual não foi linear, e entender essa história ajuda a explicar o momento vivido hoje pelas Soberanas.
Falar do São Paulo Futebol Clube é falar de vanguarda. No Futebol Feminino, essa máxima não é diferente. O projeto das Soberanas não é apenas um time em campo; é um pilar histórico que, entre idas e vindas, ajudou a profissionalizar a modalidade e revelou algumas das maiores lendas que já atuaram na modalidade.
O “Dream Team” de 1997 e o início avassalador
Embora existam registros de partidas nos anos 80, foi em 1997 que o São Paulo montou o que muitos historiadores chamam de “seleção”. Sob o comando do mestre Zé Duarte, o Tricolor reuniu nomes que hoje são lendas mundiais: Sissi (a camisa 10 clássica), Kátia Cilene e uma jovem promessa vinda da Bahia chamada Formiga.

O impacto foi imediato e educativo para a época, com o São Paulo provando que o Futebol Feminino podia ser técnico, tático e extremamente vitorioso. Naquele ano, o clube conquistou o Campeonato Paulista e o Campeonato Brasileiro (na época, a Taça Brasil). Em 1999, o bicampeonato estadual consolidou o Tricolor como a maior força do país antes de uma pausa nas atividades.

Assim como aconteceu com vários times no Brasil, a falta de estrutura, calendário e incentivo levou à descontinuidade da equipe no início dos anos 2000.
O renascimento e o título da série A2 (2019)
Após um breve retorno em 2015, o São Paulo oficializou seu projeto definitivo em janeiro de 2019. O retorno foi triunfal e pedagógico: o clube entendeu que precisava reconstruir sua base. Naquele ano, com a estrela Cristiane no elenco, o Tricolor conquistou o Campeonato Brasileiro Feminino A2, garantindo o acesso à elite de forma invicta e jogando para grandes públicos no Morumbis e no Pacaembu.
A decisão não foi apenas administrativa. Ela esteve diretamente ligada às exigências da Conmebol, que passou a obrigar clubes participantes de competições continentais masculinas a manterem equipes femininas estruturadas. Mais do que cumprir um requisito, o São Paulo enxergou ali uma oportunidade de construir um projeto sólido e duradouro.
Cotia: a fábrica de talentos
Um dos diferenciais da trajetória tricolor é o investimento nas categorias de base. O São Paulo é, hoje, uma das maiores referências na formação de atletas. Títulos no Brasileiro Sub-18 (2021) e no Sub-16 (2019), além de diversas taças estaduais na base, mostram que o clube não apenas contrata, mas “fabrica” Soberanas.
É de Cotia que saíram nomes como Vitória Amaral e Ravena, que hoje brilham no profissional e na Seleção Brasileira.
2025: o ano da afirmação
O ápice da história recente aconteceu em março de 2025. Em uma final eletrizante da Supercopa Feminina, o São Paulo superou seu maior rival nos pênaltis, dentro do Morumbis. O título coroou o trabalho de reconstrução iniciado anos antes e provou que o Tricolor está, definitivamente, entre as grandes da modalidade.

Curiosidade Histórica: Você sabia que a Sissi foi a primeira chuteira de ouro da Copa do Mundo Feminina (1999) enquanto era atleta do São Paulo? É o peso da camisa tricolor fazendo história no mundo!
Este vídeo explora a carreira de Sissi e como ela se tornou um ícone do Futebol Feminino no Brasil e no mundo.
