Consolidada no time titular da Ferroviária Feminino e com convocações para Seleção Brasileira. Hoje o sonho da lateral-esquerda Fátima Dutra é realidade. Porém, nem sempre foi assim. No início da sua trajetória no Futebol Feminino, a atleta precisou fazer renda extra para seguir buscando seu objetivo: se tornar jogadora de futebol.
Fátima pizzaiolo

As histórias de jogadoras que hoje conseguem viver do futebol, sempre tem dificuldade. Com pouco investimento no Futebol Feminino, as atletas passaram por dificuldades no início das carreiras. E com Fátima Dutra não foi diferente. Quando jogava no XV de Piracicaba, a lateral teve que vender pizza para se manter na cidade e lutar pelo seu sonho.
” No XV de Piracicaba eu vendia pizza. Não recebia salário. Eu fui para receber R$ 400 na época, só que era parceria com prefeitura. E óbvio que o Futebol Feminino era largado. Em certo momento, deu um rolo na prefeitura e disseram que não iam conseguir pagar. Que quem quisesse ir embora, poderia ir. Só que eu tinha um sonho e era novinha. Ficou eu e algumas meninas. Eu tenho uma amiga chamada Elis e ela disse que teríamos que vender pizza para nos mantermos por lá”, falou.
E assim foi. A amiga de Fátima, Elis, precisou vender sua televisão e começaram a produção das pizzas.
“Meu pai e minha família nunca tiveram condições de me manter num local e eu tinha que desenrolar. E a Elis falou que ia vender a TV e a gente ia fazer pizza caseira. Era de calabresa e milho. Nós saímos pelo condomínio, que era daqueles bem popular e saíamos vendendo. Andávamos por Piracicaba a pé. De onde a gente morava, até o centro, dava uns 40 minutos. E nós íamos entregar pizza eu, Juliana e a Elis. Fazíamos isso de vender pizza para nos manter. O clube dava alimentação, mas tinha coisas pessoais nossas e para conseguirmos isso, tivemos essa ideia”, explicou.
Carreira

A luta deu certo e hoje Fátima Dutra desfruta do seu sonho. Titular absoluta da Ferroviária e com convocações para Seleção Brasileira. A lateral esteve no elenco campeão da Copa América de 2025.
Natural de Cedro, no Ceará, Fátima Dutra começou sua carreira no Menina Olímpica, de Fortaleza; em seguida, migrou para o XV de Piracicaba. Ali, ela virou profissional e foi chamada para as seleções de base. Ela passou por 3B da Amazônia, Vitória das Tabocas e Ceará antes de, em 2019, ir para o Torrense, de Portugal.
Em terras lusitanas, Dutra ficou quatro temporadas e jogou também pelo Sporting, acumulando prêmios de melhor em campo e sendo figura certa nas seleções da rodada.
Com tanto destaque, a lateral recebeu uma proposta da Ferroviária no meio de 2024 e voltou para o Brasil. Na Locomotiva, a jogadora é peça fundamental da equipe comandada por Leonardo Mendes.
