A goleira Alice defende o Red Bull Bragantino Feminino desde que a equipe foi fundada, há cinco anos. Natural de Maceió, a atleta conversou com o Portal iG de maneira exclusiva e mostrou mais da sua personalidade, além dos campos.
Jovem ainda, Alice tem só 24 anos. Chegou ao Massa Bruta em 2020, com 19, um pouco antes de começar a pandemia. Apaixonada pelo futebol desde os seus sete anos, ela teve o primeiro contato com bola por meio do tio, que sempre foi um amante dos esportes. Entrou para uma escolinha de futebol, na qual só tinha garotos, e apesar de já se destacar no meio deles, Alice sentia que ali não era o seu lugar:
“Eu queria muito participar de uma competição feminina e em Maceió tinha. Então, resolvi falar com o dono da escolinha que eu queria muito participar, mesmo sabendo que a gente não tinha as meninas. Desta forma, eu propus ir atrás das atletas para formar um time e ele topou. Aí chamei aquelas que tinham vontade de jogar e a gente fez um grupo para irmos à competição”, contou Alice.
Após formar o time, Alice percebeu que todas as posições de linha estavam ocupadas e o único espaço que havia sobrado era embaixo do gol. Ela bateu no peito e chamou a responsabilidade, treinou por uma semana e disputou o torneio como goleira – posição em que hoje é especialista e referência.
Só joga bola se estudar 
A mãe e o pai da atleta sempre a apoiaram, mas tinham uma condição: o estudo precisava ser prioridade. E assim foi! Alice prometeu aos pais que só iria atrás do sonho de ser jogadora profissional, depois de se formar no Ensino Médio:
“Durante o colégio eu fui perdendo algumas oportunidades que surgiam, mas assim que terminei o terceiro ano falei para a minha mãe que estava na hora de ir atrás do meu sonho. Ela me apoiou e disse que se as coisas dessem errado era só eu gritar que eles iriam me buscar e eu voltava para Maceió”, disse.
Por meio das competições que disputou na sua terra natal pelo UDA, Alice foi convocada para a Seleção Brasileira sub-17 e recebeu a proposta de jogar pelo Iranduba, em Manaus, para participar do Brasileirão sub-20 e atuar também pelo profissional. Crescendo em campo, a goleira foi convocada mais uma vez para a Seleção, dessa vez na categoria sub-20. Com esta sequência brilhante, a atleta acabou sendo notada pelo Red Bull.
A mudança para São Paulo era um sonho, mas nem por isso foi fácil. O processo de adaptação, viver sozinha, longe da família, exigiram amadurecimento da goleira:
“Eu sempre tive a minha família muito perto de mim, então quando eu saí de casa e fui para o Iranduba, muitas vezes eu omiti coisas que eu passava para continuar persistindo no meu sonho e não gerar preocupação. Foi difícil, mas foi de extrema importância para o meu desenvolvimento. Aqui no Red Bull, eu cheguei com 19 anos, então foi muito importante tudo que eu passei antes para hoje estar aqui, bem, cheia de aprendizados e muito mais madura”, revelou a goleira.
Evolução do Red Bull Bragantino
Alice não pensou duas vezes quando recebeu a proposta do Massa Bruta. Ela tinha o sonho de jogar as competições paulistas, e quando a oportunidade bateu na sua porta, ela abriu com toda gentileza:
“Eu não imaginava o que eu podia encontrar aqui, tive que arriscar para que as coisas pudessem acontecer na minha vida. Vim para ver o que ia dar e, graças a Deus, deu muito certo. Sou muito feliz aqui, é um clube onde eu pude crescer e me profissionalizar. Meu carinho pelo Bragantino é muito grande”.
Ela também destacou a evolução do Red Bull Bragantino desde 2020:
“É surreal o quanto que a modalidade do futebol feminino evoluiu aqui no Bragantino. Desde profissionais até a base e questões de estruturas. A gente começou em um CT, depois fomos para outro e hoje estamos no melhor CT de futebol feminino do Brasil, então não teria melhor lugar para eu estar, senão aqui.
A Alice, fora do campo, que ama viajar e ver séries, com certeza, colocaria na sua lista de preferidas aquela sobre a goleira alagoana, que hoje defende o Massa Bruta e vê a vida profissional só começando!