O leitor doĀ Campo Delas conheceu, na matĆ©ria que saiu no Ćŗltimo sĆ”bado (05), a história que deu origem ao apelido de “Guerreiras GrenĆ”s”, que o clube utiliza atĆ© os dias atuais. Mas alĆ©m do apelido, faltava algo para materializar. E passaram-se 15 anos atĆ© que a FerroviĆ”ria deu vida a uma personagem inspirada no apelido.
A mascote “Guerreira” teve sua primeira aparição no dia do aniversĆ”rio de 75 anos da Locomotiva, em 12 de abril de 2025, na partida contra o SĆ£o Paulo, pelo Campeonato Brasileiro Feminino.
O primeiro esboƧo, no entanto, foi feito em 2020, pelo cartunista e jornalista Carlos AndrƩ de Souza, o mesmo que participou das sugestƵes para o apelido.
O primeiro esboƧo da mascote

De acordo com ele, a inspiração foi a goleira Luciana, um dos maiores nomes da história da FerroviĆ”ria – se nĆ£o for o maior,
“Quando o BetĆ£o (Humberto Boschiero, Diretor de Marketing) me convidou para essa missĆ£o, senti um orgulho imenso. Ć raro ter a chance de criar algo com tanta identidade e simbolismo. A ideia da personagem foi dele, de ser uma mulher, negra e que sua imagem representasse a garra do time. Eu apenas coloquei tudo isso no papel, com uma boa inspiração na imagem da Luciana. Mas as Guerreiras GrenĆ”s tĆŖm uma história linda, que eu sempre acompanhei, e esse convite me fez sentir como uma pequena parte de tudo isso. E o mais interessante Ć© que tambĆ©m Ć© muito raro vermos mascote especĆfico do time feminino, ou seja, esse Ć© mais um ponto em que a FerroviĆ”ria mostra pioneirismo dentro da modalidade. Legal demais e agradeƧo muito ao BetĆ£o por isso.”
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A mascote, enfim, materializada

Quando apareceu para a torcida pela primeira vez, a mascote estava redesenhada pelo designer grÔfico Henrique Nascimento. Carregava um escudo forjado em aço de Locomotiva, que simboliza resistência e transformação.
A Coordenadora de Comunicação do clube, Millena Cravo, contou ao Campo Delas sobre o processo criativo.
āDesde o inĆcio, a ideia sempre foi que a nossa guerreira representasse todas as nossas lutas ā nĆ£o apenas dentro de campo, mas fora dele tambĆ©m. Por isso, era fundamental que ela fosse uma guerreira preta, forte, empoderada, com cada detalhe pensado com intenção: o cabelo, as roupas, os traƧos do rosto. Tudo precisava comunicar inclusĆ£o, resistĆŖncia, representatividade e orgulhoā.
AlƩm disso, ver a mascote materializada foi motivo suficiente para se encher de alegria e orgulho
āFoi impossĆvel segurar a emoção. Ver a Guerreira pronta, ali diante de nós, interagindo com as pessoas, com a torcida e com as atletas, foi como foi como ver anos de história e resistĆŖncia ganhando corpo e movimento. Era mais do que uma mascote: era uma afirmação de tudo o que construĆmos atĆ© aqui ā e de tudo o que ainda queremos construir.ā

Significado de materializar a mascote
Questionada sobre ter a mascote materializada, a atual lĆder do projeto da FerroviĆ”ria, a diretora de futebol feminino Nuty Silveira, destacou alguns pontos importante que levaram o clube a tirar a ideia do papel.
“A Guerreira foi feita atravĆ©s de concepƧƵes e de mĆŗltiplas ideias, passando por mĆ£os de mulheres que fizeram parte do projeto. Poder materializar a Guerreira, mesmo após anos, Ć© uma representatividade muito grande. Acredito que a “personificação” de um mascote Ć© algo que engrandece e empolga a todos nós. No dia do lanƧamento oficial, foi feita uma grande festa na Fonte. As atletas foram apresentadas a ela e emocionou a todos que fizeram frente para que isso acontecesse. A Guerreira Ć© a pluralidade e a forma que muitas mulheres lutam no dia a dia e nĆ£o fica exclusivamente dentro de um estĆ”dio de futebol.”
Nuty também abordou os objetivos da mascote de não somente interagir com o torcedor afeano que se faz presente na Fonte Luminosa, mas também ser motivo de admiração. Crianças e adultos sempre pedem um registro com a queridinha do torcedor grenÔ.
“Sabemos da fidelidade do pĆŗblico com o futebol feminino da FerroviĆ”ria e ter a Guerreira, presente em todos os jogos em casa, faz um grande diferencial na arquibancada. E nĆ£o apenas crianƧas querem registrar o momento, mas dĆ” para ver muitas famĆlias interagindo com ela. Ć algo diferente e isso acaba chamando atenção. A Guerreira tambĆ©m participou de outras aƧƵes promovidas pelo clube. Na Corrida das Guerreiras, primeira corrida de rua idealizada pelo clube este ano, por exemplo, ela esteve presente, interagindo com os corredores e com o pĆŗblico presente. E acho que Ć© esse o caminho. A Guerreira faz parte de nós, do nosso cotidiano, e quando a FerroviĆ”ria joga na Fonte, o torcedor vai ao estĆ”dio sabendo que ela estarĆ” lĆ”, prestigiando e impulsionando com o seu apoio.”

