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Home » Últimas notícias » Futebol Feminino e saúde mental: como os clubes atuam no Setembro Amarelo
Direto ao Ponto

Futebol Feminino e saúde mental: como os clubes atuam no Setembro Amarelo

Íris Araújo
1 ano atrás
6 Min de Leitura
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Foto: Arthur Barreto/Botafogo

Setembro é o mês marcado pela campanha Setembro Amarelo, que tem como objetivo conscientizar sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida. No Futebol Feminino brasileiro, o tema vem ganhando espaço. Isso acontece porque clubes, atletas e comissões técnicas entendem a importância de falar sobre saúde mental no esporte.

O exemplo do Botafogo e a voz das atletas

A atleta Kika Brandino compartilhou publicamente sua experiência com a depressão. Em entrevista exclusiva ao Campo Delas, a volante conta que suas crises começaram em 2023, durante o período em que ela atuou pelo São Paulo.

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Depois, se transferiu para o Atlético-MG, onde permaneceu por cerca de 40 dias. No Galo, a atleta decidiu se afastar temporariamente para se ressignificar e buscar apoio médico e psicológico especializado. Após esse período de cuidado, voltou aos gramados com mais força e confiança. Atualmente, atua em grande nível pelo Botafogo.

 

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No atual clube, essa preocupação também está presente. O time tem promovido debates internos e ações que oferecem espaço de escuta para as jogadoras. A volante destacou a relevância desse cuidado dentro do elenco alvinegro:

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“É muito importante termos esse espaço dentro do clube, porque nem sempre conseguimos falar sobre o que sentimos. Quando o Botafogo traz esse cuidado, isso nos dá segurança para seguir em frente”, afirma a atleta.

Kika reforça ainda que o Setembro Amarelo deve ser apenas um ponto de partida para um cuidado constante:

“O Setembro Amarelo é uma oportunidade para lembrarmos que nossa saúde mental também precisa de treino e cuidado. Mas o ideal é que essa atenção exista o ano inteiro.”

Quando perguntada em que momento ela sentiu que precisava de ajuda, Kika deu uma declaração forte e importante:

“Cheguei a um ponto em que a minha performance começou a ser afetada, e aquela rotina não fazia mais sentido. Percebi que não estava mais conseguindo lidar com a situação sozinha. Eram inúmeras crises ansiedade, tristeza, pensamentos ruins e desesperança. Foi um momento muito difícil, tentei mudar os ares, ambiente e pessoas, mas entendi que eu precisava pausar minha carreira e buscar ajuda.”

Saúde mental no esporte

A pressão por resultados, a cobrança por espaço em um cenário ainda desigual e os desafios da carreira tornam o cuidado psicológico essencial. Por isso, cada vez mais clubes têm buscado incluir profissionais da saúde mental em seus departamentos. Dessa forma, promovem palestras, rodas de conversa e abrem canais de escuta para as atletas.

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O papel dos clubes no Setembro Amarelo

Vários times do futebol brasileiro vêm desenvolvendo iniciativas voltadas à campanha. O Corinthians, por exemplo, realizou uma ação em parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina. Nesse contexto, as jogadoras do time feminino entraram em campo ao lado de representantes das entidades médicas, vestindo camisas alusivas ao Setembro Amarelo.

Foto: Reprodução / ABP

No Fluminense, as ações foram além. O departamento de Psicologia organizou palestras e oficinas no centro de treinamento, em Xerém. Ademais, promoveu atividades com atletas da base e do Futebol Feminino. Em algumas partidas do Campeonato Carioca, goleiras da equipe feminina jogaram com uniforme amarelo, reforçando o movimento.

Foto: Divulgação / Fluminense

No Coritiba, a atenção à saúde mental também é prioridade. O psicólogo do clube, Gustavo Fressato, comenta sobre a importância de incluir a psicologia em todas as categorias, inclusive no futebol feminino:

“Cuidar da mente faz parte do bom rendimento dentro e fora do campo”, afirma.

 

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Mais que uma campanha: uma pauta permanente

O Futebol Feminino, que ainda luta por espaço e reconhecimento, mostra que também pode ser protagonista em causas sociais relevantes. Assim, as ações dos clubes e o engajamento das jogadoras deixam claro que falar de saúde mental não deve se restringir a uma data no calendário.

A mensagem que ecoa nos gramados é simples, mas poderosa: pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, é um gesto de coragem que pode salvar vidas.

Se você ou alguém próximo está enfrentando dificuldades emocionais, lembre-se: pedir ajuda é um ato de coragem. Existem canais especializados disponíveis 24 horas por dia, que oferecem apoio gratuito e sigiloso:

  • CVV – Centro de Valorização da Vida
    Telefone: 188 | www.cvv.org.br ou site do Setembro Amarelo

  • SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência
    Telefone: 192

  • Disque Saúde Mental (Ministério da Saúde)
    Telefone: 136

Não espere estar sozinho para procurar apoio. Falar sobre o que sente salva vidas. A saúde mental é tão importante quanto qualquer treinamento ou partida.

TAGGED:Botafogo FemininoCorinthians Femininofutebol feminino
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Íris Araújo
PorÍris Araújo
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Íris Araújo cursa jornalismo na Faculdade São Francisco de Assis. No Campo Delas, escreve sobre o dia a dia do São Paulo Futebol Clube. Além disso, participa de projetos que falam sobre futebol no geral. Sua grande paixão além do esporte, é contar histórias que tragam a paixão pelo que faz.
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